Política
No G7, Lula cobra países ricos e critica gastos militares frente à fome global
Em discurso na França, presidente brasileiro destacou que investimentos em armamentos chegam a US$ 3 trilhões enquanto ajuda humanitária sofre cortes severos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira (16) da Cúpula do G7 em Évian, na França, onde cobrou maior responsabilidade das grandes potências no combate às desigualdades. Lula destacou que, embora o sistema global produza riqueza em abundância, a distribuição de oportunidades ocorre de forma profundamente assimétrica, prejudicando o desenvolvimento dos países do Sul Global.
Durante seu pronunciamento, o brasileiro criticou o aumento dos gastos militares globais, que atingiram a marca de quase US$ 3 trilhões de dólares anuais. Em contrapartida, Lula alertou para o esvaziamento de organismos internacionais, citando que o Programa Mundial de Alimentos teve redução de 40% em seu financiamento, enquanto OMS e Unicef sofreram cortes superiores a 20%.
Lula também questionou a lógica do endividamento externo, afirmando que os países em desenvolvimento transferem anualmente US$ 1,4 trilhão para o pagamento de serviços da dívida. Segundo o presidente, este valor é sete vezes superior ao montante recebido em ajuda das nações ricas, o que impede investimentos estruturantes em educação e saúde nas regiões mais pobres.
Ao finalizar, o presidente brasileiro criticou o ressurgimento do protecionismo e as políticas de austeridade como fins em si mesmos. Lula mencionou que o déficit atual do cenário internacional não é de recursos, mas de vontade política para implementar soluções coletivas que corrijam as disparidades entre o topo da pirâmide econômica e a população mundial.
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